Introdução
Nesta semana, o foco do setor de trigo permanece em três eixos principais: a evolução dos preços no Brasil e no exterior, a situação das lavouras nos países-produtores e as implicações para o Brasil, em especial devido às importações da Argentina. Ainda que o cenário global apresente sinais de oferta elevada e tendência de preços mais baixos, no Brasil há dinâmica com particularidades que merecem atenção, dado o câmbio, logística e dependência de importações vizinhas.
1. Panorama de preços
Brasil
- No Paraná (Campos Gerais), negócios CIF para moinhos ficaram entre R$ 1.200 e R$ 1.250 por tonelada. SAFRAS & Mercado
- Em Curitiba, indicações de ~ R$ 1.230/t. SAFRAS & Mercado
- No Rio Grande do Sul, ofertas para indústria entre ~ R$ 1.140 a 1.150/t, o que equivale a ~ R$ 1.000-1.030/t no interior, dependendo da praça e qualidade. SAFRAS & Mercado+1
- O trigo nacional está negociado abaixo da paridade de importação (“hard”) em muitas praças. Em Carazinho (RS) cotação ~ R$ 1.020/t vs paridade estimada ~ R$ 1.264/t. SAFRAS & Mercado+1
Internacional
- A produção global de trigo na safra 2025/26 é projetada em 828,89 milhões de toneladas, aumento de ~ 3,5% segundo o Cepea. Notícias Agrícolas+1
- Para a Argentina, a projeção está próxima de 24 milhões de toneladas. Notícias Agrícolas+2Forbes Brasil+2
- No mercado global, valores futuros do trigo na bolsa dos EUA apontavam ~ US$ 5,27/bushel para o contrato de dezembro/2025 (≈ US$ 193,73 por tonelada) no mercado de Soft Red Winter.
- Observação: Fizemos a conversão do bushel para tonelada para garantir coerência (1 bushel ≈ 0,027216 t) conforme orientação de qualidade de dados.
Resumo rápido de tendências de preço:
- Pressão baixista global devido à maior oferta e estoques elevados.
- No Brasil, apesar da oferta interna e da colheita em andamento, há resistência aos preços mais baixos, mas liquidez fraca e expectativa de importação mantêm a atenção.
- A Argentina continua sendo um fator chave para concorrência de importação e impacto nos preços domésticos brasileiros.
2. Situação das lavouras
Brasil
- No Paraná, a colheita do trigo está avançada — segundo o Deral/SEAB, ~ 92% da área já colhida até 10 de novembro.
- No Rio Grande do Sul, a colheita reportada atingia ~ 60% da área até 13 de novembro, frente a ~ 81% no mesmo período em 2024.
- O mercado nacional segue com pouca liquidez e ofertas limitadas, já que muitos produtores também aguardam condições mais favoráveis de comercialização. SAFRAS & Mercado
Argentina
- A projeção da safra de trigo 2025/26 da Argentina foi elevada para ~ 24 milhões de toneladas, o que indica uma possível safra recorde. Notícias Agrícolas+2Forbes Brasil+2
- Aspecto climático favorável: no país vizinho, chuvas oportunas contribuíram para boa produtividade esperada. Abitrigo+1
- A colheita ainda está iniciando ou em estágios iniciais em diversas regiões, com boa umidade de solo e expectativa de rendimentos elevados.
3. Tendências e notícias de impacto global
- O clima favorável nas principais regiões produtoras reduziu o risco de queda de produtividade e, por consequência, ampliou a oferta potencial de trigo globalmente. sindustrigo.com.br+1
- A vasta oferta esperada, somada à competição de importações, coloca pressão sobre os preços internacionais e reforça o cenário de preços mais baixos para o trigo. Notícias Agrícolas+1
- Especificamente para o Brasil, a importação de trigo da Argentina ganha protagonismo. Com redução ou isenção de impostos de exportação na Argentina, o trigo argentino se torna ainda mais competitivo no mercado brasileiro. InfoMoney+1
4. Implicações para o Brasil
- Como o Brasil importa volume significativo de trigo da Argentina, uma safra elevada no país vizinho gera duas possibilidades:
- Maior oferta exportável argentina → preços internacionais menores → pressão para baixo sobre preços internos brasileiros.
- Porém, se houver atraso na colheita, clima adverso ou problemas logísticos na Argentina, o Brasil poderá enfrentar elevação de custo de importação.
- Internamente, o fato de os preços nacionais estarem abaixo da paridade de importação evidencia que o cereal importado representa uma alternativa mais barata para moinhos e indústria. O que limita o poder de negociação dos produtores domésticos.
- Para os moinhos e para a cadeia alimentícia, além do preço por tonelada, os fatores câmbio, logística de importação, barateamento dos custos de frete e armazenamento ganham crescente relevância.
- Para os produtores brasileiros, a combinação de colheita quase finalizada e preços pressionados exige atenção estratégica. Manter controle de custos, avaliar contratos e homologar parcerias de comercialização antecipadas pode ser diferencial.
5. Conclusão e recomendações da semana
Para o período de 10 a 16 de novembro de 2025, o mercado do trigo apresenta o seguinte quadro:
A oferta global está orientando o mercado para preços mais baixos, mas no Brasil o cenário ainda tem elementos de cautela.
Como o Brasil está em fase final de colheita em muitas regiões, portanto, existe certo alívio na oferta doméstica. Mas isso não se traduziu em aumento de preços, devido à forte concorrência externa.
O mercado brasileiro está em compasso de espera. Liquidez fraca, poucas negociações firmes, expectativas de editais da Conab ou de políticas públicas de apoio. Além da importação argentina como variável-chave.
Recomendação para agentes do setor:
Moinhos / indústria: aproveite a janela de competitividade das importações argentinas e monitore de perto o câmbio e o custo logístico, pois esses determinarão a competitividade da farinha/trigo importado.
Produtores brasileiros: revisem custos de produção, busquem contratos antecipados ou opções de venda que minimizem exposição à pressão de preço; no curto prazo, pois não há sinais fortes de elevação de preços na safra nova.
Importadores: avaliem bem a qualidade do trigo argentino, volumes disponibilizados e logística. Uma safra de volume elevado pode significar descontos, mas logística e qualidade devem ser conferidas.
Foco estratégico para a próxima semana:
Portanto, necessário acompanhar editais da Conab/Pepro, câmbio real/barrel, evolução da colheita no Brasil e Argentina e eventuais ruídos climáticos ou logísticos que possam alterar a suave trajetória de preços.
Assim, a Agromaxima permanece comprometida em fornecer informações precisas e atualizadas para auxiliar seus clientes nas melhores decisões de compra e venda de trigo.
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