Brasil e Mercado Global | Semana de 16 a 22 de dezembro de 2025
O mercado do trigo encerrou a última semana com forte ajuste de preços no Hemisfério Sul, especialmente na Argentina, que voltou a assumir posição de origem mais competitiva para o Brasil. Ao mesmo tempo, a Rússia ampliou sua presença em destinos não tradicionais, enquanto o mercado doméstico brasileiro segue sustentado pela entressafra e pela dependência de importações.
Este relatório foi elaborado para apoiar moinhos, tradings e compradores industriais, trazendo uma leitura prática do mercado físico, com foco em paridade de importação, qualidade e proteína.
Panorama geral do mercado do trigo
De maneira geral, a semana foi marcada por:
- Oferta abundante do Mar Negro e do Canadá, limitando altas globais
- Queda expressiva dos preços FOB argentinos, puxada por proteína média mais baixa
- Competitividade crescente da Rússia no radar brasileiro
- Mercado interno firme, porém com teto definido pela importação
Assim sendo, o trigo voltou a ser negociado com base muito mais na qualidade efetiva do que em referências futuras como Chicago.
Mercado do trigo no Brasil
Segundo CONAB, CEPEA e MAPA, o Brasil permanece em plena entressafra, com baixa disponibilidade interna e elevada dependência de trigo importado.
Preços do trigo no mercado interno
(R$/t – interior, indicativo)
- São Paulo: 1.300
- Paraná: 1.280
- Rio Grande do Sul: 1.050
- Goiás: 1.400
Os preços seguem sustentados, contudo sem espaço para altas relevantes, dado o atual nível de paridade de importação.
Argentina: correção de preços e leitura correta do mercado
A Argentina voltou a ser o principal formador de preço para o Brasil, sobretudo no trigo de 10,0% a 11,0% de proteína, que domina o mercado spot.
Preços FOB – Trigo argentino (Up River)
(Semana de 16 a 22/12/2025)
| Proteína | Preço FOB (US$/t) | Leitura de mercado |
|---|---|---|
| 11,5% | US$ 220/t | Oferta muito curta |
| 11,0% | US$ 215/t | Negócios frequentes |
| 10,5% | US$ 210/t | Maior volume |
| 10,0% | US$ 200/t | Alta liquidez |
Análise-chave:
A queda de preços não reflete excesso de oferta, mas sim perfil proteico mais baixo da safra. Ainda assim, a Argentina encontra demanda com facilidade, graças à sua competitividade extrema.
Rússia e o avanço no radar brasileiro
Dados de FAO e do International Grains Council mostram que a Rússia segue agressiva.
- FOB Rússia 12,5%: ~US$ 230/t
- Qualidade consistente
- Crescente aceitação no Brasil, especialmente para blends
A Rússia passa a ser alternativa real, sobretudo quando há escassez de trigo argentino acima de 11,5%.
Estados Unidos: fora de mercado para o Brasil
Segundo o USDA e referências do CME Group:
- HRW 12,5%: ~US$ 245/t
- SRW 10,5%: ~US$ 218/t
Apesar disso, custos logísticos mantêm o trigo norte-americano pouco competitivo frente à Argentina e à Rússia.
Comparativo internacional – Semana
| Origem | Proteína | Preço FOB (US$/t) |
|---|---|---|
| Argentina | 11,5% | 220 |
| Brasil | 12,5% | 227 |
| Rússia | 12,5% | 230 |
| EUA HRW | 12,5% | 245 |
| EUA SRW | 10,5% | 218 |
| Austrália ASW | — | 239 |
Tendências e pontos de atenção
- Estabilidade para trigo de baixa e média proteína
- Viés altista para lotes acima de 11,5%
- Forte dependência de:
- câmbio
- logística argentina
- avanço da Rússia no mercado brasileiro
Portanto, moinhos devem manter estratégia ativa de originação, priorizando blends e gestão de risco.
Portanto, a Agromaxima permanece comprometida em fornecer informações precisas e atualizadas para auxiliar seus clientes nas melhores decisões de compra e venda de trigo.
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