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Relatório semanal do mercado do trigo 17-23nov-2025

Relatório semanal do mercado do trigo

Relatório semanal do mercado do trigo

1. Visão geral da semana

Na semana de 17 a 23 de novembro de 2025, o mercado global de trigo continuou sob forte influência de oferta abundante e perspectivas de safras recordes, o que manteve os preços pressionados, apesar de alguma volatilidade pontual nos mercados futuros.

Além disso, o USDA projeta produção mundial recorde de trigo em 2025/26, em cerca de 828,9 milhões de toneladas (+3,5%), reforçando o quadro de ampla oferta, conforme citado por análise do Cepea. Cepea


2. Brasil: preços, colheita e pressão de oferta

2.1 Preços internos – CEPEA (tonelada e equivalência em bushel)

Indicador CEPEA/ESALQ – Paraná (mercado disponível, à vista) Cepea

Média simples dos quatro dias úteis da semana:
≈ R$ 1.196,42/t, o que equivale a cerca de US$ 224/t.
Portanto, convertendo para bushel (1 t ≈ 36,74 bushels), temos aproximadamente US$ 6,02/bushel.

Indicador CEPEA/ESALQ – Rio Grande do Sul Cepea

Esses níveis confirmam um cenário de preços historicamente deprimidos, alinhado com reportagens que apontam queda anual de até 25% em algumas praças ao longo de 2025. Agrolink

Além disso, no mercado ao produtor:

Isso reforça a erosão da margem do produtor, ao mesmo tempo em que melhora a competitividade dos moinhos e indústrias usuárias de trigo.

2.2 Colheita e safra 2025/26

Relatórios recentes indicam que:

A Conab, no 2º Levantamento da safra 2025/26, projeta produção de grãos do Brasil em 354,8 milhões de toneladas, destacando que a safra de inverno (onde o trigo se insere) vem em linha com boas condições climáticas gerais, ainda que com riscos localizados. Serviços e Informações do Brasil+1

2.3 Importações e competitividade

De acordo com análises recentes, o Brasil caminha para um dos maiores volumes de importação de trigo da história em 2025, impulsionado por:

Na prática, isso significa que:


3. Argentina: safra recorde, preços e avanço da colheita

3.1 Preços físicos e FOB

Na Bolsa de Comercio de Rosario, os preços físicos do trigo (Cámara Arbitral) em pesos por tonelada, na semana de referência, foram: bcr.com.ar

Observa-se uma trajetória de queda ao longo da quinzena, refletindo:

No mercado externo:

Em termos de equivalência, US$ 209–211/t correspondem a cerca de US$ 5,69–5,74/bushel, o que reforça o papel da Argentina como principal origem competitiva para o Brasil.

3.2 Safra 2025/26 e colheita

A Bolsa de Cereales de Rosário e outras fontes indicam que a produção de trigo na Argentina em 2025/26 deve:

Portanto, esse cenário de super safra torna a Argentina o principal vetor de pressão sobre:

  1. Preços de exportação do Hemisfério Sul;
  2. Paridade de importação brasileira, especialmente para moinhos do Sul e Sudeste.

4. Mercado internacional: EUA, Europa, Mar Negro, Índia e Ucrânia

4.1 Chicago, Europa e Mar Negro

Segundo análise da AF News para o dia 12/11: AF News

No Mar Negro, o trigo russo e ucraniano segue levemente acima do francês/romeno, mas ainda assim em patamares historicamente competitivos, com FOB apenas alguns dólares acima dos 225–227 US$/t europeus. AF News+1

Relatórios anteriores da Reuters já mostravam a queda dos preços de exportação russos ao longo de 2023 e 2024, enquanto em 2025 o governo russo trabalha para estimular exportações, inclusive com redução do imposto de exportação e previsão de safra de 135 milhões de toneladas de grãos, com expectativa de 45 milhões de toneladas de trigo exportadas na temporada. Reuters+1

4.2 Estados Unidos: safra cheia e plantio de inverno adiantado

Conforme dados do USDA e de serviços de análise do mercado: Successful Farming+2dtnpf.com+2

Então, esse quadro reforça a percepção de oferta confortável nos EUA, limitando reações de alta mais fortes na bolsa de Chicago.

4.3 Índia e Ucrânia: oferta adicional no radar

Na Índia, reportagens recentes da Reuters indicam: Reuters

Embora o país mantenha restrições à exportação de trigo in natura, o aumento da produção tende a estabilizar o mercado interno e, eventualmente, ampliar exportações indiretas via farinha.

Já a Ucrânia afirmou que não limitará as exportações de trigo em 2025/26, projetando: Reuters

Portanto, somados, esses fatores reforçam a narrativa de um mercado global bem abastecido, com vários grandes players (EUA, Rússia, Argentina, Índia, Ucrânia) contribuindo para manter os preços sob controle.


5. Implicações para o produtor e para a cadeia no Brasil

Diante desse cenário, alguns pontos se destacam para a semana de 17 a 23/11/2025:

  1. Pressão baixista estrutural
    • Safra recorde global (828,9 Mt), oferta abundante no Hemisfério Norte e super safra argentina formam assim, um “teto” para o preço internacional.
  2. Importações em ritmo forte
    • A competitividade do trigo argentino FOB (US$ 209–211/t) e o câmbio mais favorável estimulam compras externas, principalmente pelos moinhos do Sul/Sudeste. AF News+1
  3. Preço interno abaixo do mínimo
    • O valor ao produtor no RS (R$ 55/saca) permanece muito abaixo do preço mínimo oficial, aumentando o risco de descapitalização do produtor e principalmente, desestímulo ao plantio futuro. Agrolink+1
  4. Qualidade e logística ganham peso
    • Afinal, em um contexto de preços deprimidos, bônus de qualidade (PH, proteína, falling number) e proximidade dos moinhos podem representar a diferença entre vender com margem ou só “fazer caixa”.
  5. Oportunidades táticas na comercialização
    • Assim, mesmo com tendência de baixa, janelas de volatilidade em Chicago e no câmbio podem oferecer momentos de travamento de preço em níveis um pouco melhores, especialmente via operações estruturadas (hedge com futuros/opções ou contratos a termo indexados ao mercado externo).

6. Pontos de atenção para a próxima semana

Para o monitoramento de curto prazo, vale acompanhar:

Assim, a Agromaxima permanece comprometida em fornecer informações precisas e atualizadas para auxiliar seus clientes nas melhores decisões de compra e venda de trigo.

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