1. Visão geral da semana
Na semana de 17 a 23 de novembro de 2025, o mercado global de trigo continuou sob forte influência de oferta abundante e perspectivas de safras recordes, o que manteve os preços pressionados, apesar de alguma volatilidade pontual nos mercados futuros.
- No Brasil, o indicador CEPEA/ESALQ mostra o trigo recuando levemente, com o Paraná girando em torno de R$ 1.196/t (≈ US$ 224/t) e o Rio Grande do Sul em R$ 1.043/t (≈ US$ 195/t) na média dos últimos negócios de 17, 18, 19 e 21 de novembro. Cepea
- Na Argentina, a Bolsa de Comercio de Rosario registrou preços físicos em queda, saindo de AR$ 254.000/t (14/11) para AR$ 235.500/t (20/11). bcr.com.ar
- No mercado externo, o contrato de trigo SRW (Chicago) se manteve em torno de US$ 5,36–5,52/bushel na faixa dezembro–março, enquanto o trigo argentino de nova safra com 11,5% de proteína segue competitivo a US$ 209–211/t FOB para embarque em dezembro, abaixo do trigo europeu e do Mar Negro. AF News
Além disso, o USDA projeta produção mundial recorde de trigo em 2025/26, em cerca de 828,9 milhões de toneladas (+3,5%), reforçando o quadro de ampla oferta, conforme citado por análise do Cepea. Cepea
2. Brasil: preços, colheita e pressão de oferta
2.1 Preços internos – CEPEA (tonelada e equivalência em bushel)
Indicador CEPEA/ESALQ – Paraná (mercado disponível, à vista) Cepea
- 17/11/2025: R$ 1.194,85/t – US$ 224,34/t
- 18/11/2025: R$ 1.197,06/t – US$ 225,10/t
- 19/11/2025: R$ 1.199,57/t – US$ 224,72/t
- 21/11/2025: R$ 1.194,18/t – US$ 221,27/t
Média simples dos quatro dias úteis da semana:
≈ R$ 1.196,42/t, o que equivale a cerca de US$ 224/t.
Portanto, convertendo para bushel (1 t ≈ 36,74 bushels), temos aproximadamente US$ 6,02/bushel.
Indicador CEPEA/ESALQ – Rio Grande do Sul Cepea
- 17 a 21/11/2025: faixa de R$ 1.042,42 a 1.044,16/t, com média da semana em torno de R$ 1.043,38/t, algo como US$ 195–196/t.
Esses níveis confirmam um cenário de preços historicamente deprimidos, alinhado com reportagens que apontam queda anual de até 25% em algumas praças ao longo de 2025. Agrolink
Além disso, no mercado ao produtor:
- No Rio Grande do Sul, o saco de 60 kg chegou a R$ 55,00/saca, equivalente a aproximadamente R$ 917/t, bem abaixo do preço mínimo oficial de R$ 78,51/saca.
- No Paraná, os preços oscilaram em R$ 64–66/saca (≈ R$ 1.067–1.100/t). Agrolink
Isso reforça a erosão da margem do produtor, ao mesmo tempo em que melhora a competitividade dos moinhos e indústrias usuárias de trigo.
2.2 Colheita e safra 2025/26
Relatórios recentes indicam que:
- A colheita no Sul avançou, com o Rio Grande do Sul já perto de 77% da área colhida, segundo boletins especializados mencionados pela AF News. AF News+1
- No Paraná, a colheita vinha sofrendo com chuvas frequentes e interrupções de campo, apesar de, por um lado, atrasou os trabalhos e, por outro, não impediu a queda de preços pela concorrência do trigo importado. Cepea+1
A Conab, no 2º Levantamento da safra 2025/26, projeta produção de grãos do Brasil em 354,8 milhões de toneladas, destacando que a safra de inverno (onde o trigo se insere) vem em linha com boas condições climáticas gerais, ainda que com riscos localizados. Serviços e Informações do Brasil+1
2.3 Importações e competitividade
De acordo com análises recentes, o Brasil caminha para um dos maiores volumes de importação de trigo da história em 2025, impulsionado por:
- Menor área plantada em estados-chave;
- Preços internacionais atrativos;
- Forte disponibilidade de trigo argentino e do Mar Negro. Canal Rural+1
Na prática, isso significa que:
- O trigo importado chega com paridade competitiva (e muitas vezes abaixo) em relação ao trigo nacional;
- Compradores (moinhos e indústrias) pressionam o produtor brasileiro, buscando descontos adicionais. Exatamente o movimento descrito pelo Cepea ao apontar que a desvalorização do dólar e a safra cheia ampliam a pressão baixista sobre o preço interno. Cepea
3. Argentina: safra recorde, preços e avanço da colheita
3.1 Preços físicos e FOB
Na Bolsa de Comercio de Rosario, os preços físicos do trigo (Cámara Arbitral) em pesos por tonelada, na semana de referência, foram: bcr.com.ar
- 14/11: AR$ 254.000/t
- 17/11: AR$ 250.100/t
- 18/11: AR$ 250.380/t
- 19/11: AR$ 244.500/t
- 20/11: AR$ 235.500/t
Observa-se uma trajetória de queda ao longo da quinzena, refletindo:
- Entrada acelerada da nova safra;
- Expectativa de produção recorde;
- Concorrência acirrada entre exportadores.
No mercado externo:
- O trigo argentino 11,5% proteína – nova safra está cotado a US$ 209–211/t FOB para embarque em dezembro, sendo hoje a origem de maior volume e menor custo global. AF News+1
- Em comparação, trigo francês e romeno 11,5% aparecem a US$ 225–227/t FOB, enquanto trigo russo e ucraniano se posicionam US$ 2–3/t acima desse nível. AF News+1
Em termos de equivalência, US$ 209–211/t correspondem a cerca de US$ 5,69–5,74/bushel, o que reforça o papel da Argentina como principal origem competitiva para o Brasil.
3.2 Safra 2025/26 e colheita
A Bolsa de Cereales de Rosário e outras fontes indicam que a produção de trigo na Argentina em 2025/26 deve:
- Alcançar entre 24 e 24,5 milhões de toneladas, um novo recorde histórico, ficando assim, acima das estimativas anteriores de 23 milhões de toneladas. AF News+1
- Apresentar rendimento médio próximo de 3,77 t/ha, com área estimada em 6,9 milhões de hectares e cerca de 15–20% da área já colhida em meados de novembro, segundo dados de SAGyP e da Bolsa de Cereales. bccba.org.ar+1
Portanto, esse cenário de super safra torna a Argentina o principal vetor de pressão sobre:
- Preços de exportação do Hemisfério Sul;
- Paridade de importação brasileira, especialmente para moinhos do Sul e Sudeste.
4. Mercado internacional: EUA, Europa, Mar Negro, Índia e Ucrânia
4.1 Chicago, Europa e Mar Negro
Segundo análise da AF News para o dia 12/11: AF News
- Chicago (CBOT – SRW)
- Dezembro: US$ 5,36/bu (estável)
- Março: US$ 5,52/bu (+0,15%)
- Kansas (HRW)
- Dezembro: US$ 5,25/bu (+0,34%)
- Março: US$ 5,41/bu (+0,45%)
- Euronext (Paris)
- Dezembro: cerca de US$ 221,6/t, com leve alta diária (~0,4%).
No Mar Negro, o trigo russo e ucraniano segue levemente acima do francês/romeno, mas ainda assim em patamares historicamente competitivos, com FOB apenas alguns dólares acima dos 225–227 US$/t europeus. AF News+1
Relatórios anteriores da Reuters já mostravam a queda dos preços de exportação russos ao longo de 2023 e 2024, enquanto em 2025 o governo russo trabalha para estimular exportações, inclusive com redução do imposto de exportação e previsão de safra de 135 milhões de toneladas de grãos, com expectativa de 45 milhões de toneladas de trigo exportadas na temporada. Reuters+1
4.2 Estados Unidos: safra cheia e plantio de inverno adiantado
Conforme dados do USDA e de serviços de análise do mercado: Successful Farming+2dtnpf.com+2
- A produção de trigo dos EUA em 2025 foi revisada para 54 milhões de toneladas, assim, o maior patamar desde 2016, com estoques finais de 24,5 milhões de toneladas em 2025/26.
- O plantio do trigo de inverno atingiu 92% da área nos 18 principais estados até 16 de novembro (pouco abaixo da média de 95%), com 79% das lavouras emergidas.
- A condição da safra é considerada boa/excelente em 45% (8% excelente + 37% boa), com 36% em condição regular e 19% em situação de pobre a muito pobre.
Então, esse quadro reforça a percepção de oferta confortável nos EUA, limitando reações de alta mais fortes na bolsa de Chicago.
4.3 Índia e Ucrânia: oferta adicional no radar
Na Índia, reportagens recentes da Reuters indicam: Reuters
- Alta de 5% na área semeada de trigo para 2025/26;
- Safra recorde de 117,5 milhões de toneladas em 2025;
- Aumento do preço mínimo de suporte ao produtor em 6,6%, estimulando ainda mais o plantio.
Embora o país mantenha restrições à exportação de trigo in natura, o aumento da produção tende a estabilizar o mercado interno e, eventualmente, ampliar exportações indiretas via farinha.
Já a Ucrânia afirmou que não limitará as exportações de trigo em 2025/26, projetando: Reuters
- Colheita de cerca de 23 milhões de toneladas;
- Exportações estimadas em 17 milhões de toneladas, acima das 15,7 milhões do ciclo anterior.
Portanto, somados, esses fatores reforçam a narrativa de um mercado global bem abastecido, com vários grandes players (EUA, Rússia, Argentina, Índia, Ucrânia) contribuindo para manter os preços sob controle.
5. Implicações para o produtor e para a cadeia no Brasil
Diante desse cenário, alguns pontos se destacam para a semana de 17 a 23/11/2025:
- Pressão baixista estrutural
- Safra recorde global (828,9 Mt), oferta abundante no Hemisfério Norte e super safra argentina formam assim, um “teto” para o preço internacional.
- Importações em ritmo forte
- A competitividade do trigo argentino FOB (US$ 209–211/t) e o câmbio mais favorável estimulam compras externas, principalmente pelos moinhos do Sul/Sudeste. AF News+1
- Preço interno abaixo do mínimo
- O valor ao produtor no RS (R$ 55/saca) permanece muito abaixo do preço mínimo oficial, aumentando o risco de descapitalização do produtor e principalmente, desestímulo ao plantio futuro. Agrolink+1
- Qualidade e logística ganham peso
- Afinal, em um contexto de preços deprimidos, bônus de qualidade (PH, proteína, falling number) e proximidade dos moinhos podem representar a diferença entre vender com margem ou só “fazer caixa”.
- Oportunidades táticas na comercialização
- Assim, mesmo com tendência de baixa, janelas de volatilidade em Chicago e no câmbio podem oferecer momentos de travamento de preço em níveis um pouco melhores, especialmente via operações estruturadas (hedge com futuros/opções ou contratos a termo indexados ao mercado externo).
6. Pontos de atenção para a próxima semana
Para o monitoramento de curto prazo, vale acompanhar:
- Evolução da colheita no Sul do Brasil (especialmente RS) e possíveis revisões de produtividade pela Conab;
- Ritmo da colheita na Argentina e novas estimativas de produção pelas Bolsas de Cereales e SAGyP;
- Novos dados de plantio e condição do trigo de inverno nos EUA (USDA Crop Progress);
- Qualquer mudança em políticas de exportação de Rússia, Índia e Ucrânia, que possam alterar a oferta disponível ao mercado;
- Comportamento do câmbio BRL/USD, que afeta diretamente a paridade de importação e, consequentemente, o piso dos preços internos.
Assim, a Agromaxima permanece comprometida em fornecer informações precisas e atualizadas para auxiliar seus clientes nas melhores decisões de compra e venda de trigo.
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