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Argentina reduz retenciones: alíquota do trigo cai para 7,5% — e a qualidade do trigo de Buenos Aires pode mudar o cenário para o Brasil

Retenciones trigo 7,5%

Retenciones trigo 7,5%

(Agromaxima | Radar do Trigo)

O governo argentino anunciou a redução das retenciones do trigo de 9,5% para 7,5%, em uma estratégia mais ampla de incentivo à competitividade do setor agroindustrial. A mudança ocorre simultaneamente ao avanço da colheita da safra 2025/26, que já desponta como uma das maiores da história.

Entretanto, além da questão tributária, outro fator ganhou destaque nesta semana: a entrada da colheita na região de Buenos Aires, onde a qualidade costuma superar a observada no norte do país. Isso poderá alterar de forma relevante a oferta de trigo panificável disponível para exportação ao Brasil.


Qualidade do trigo argentino: um ponto de virada em Buenos Aires

Até poucas semanas atrás, os relatórios das Bolsas de Cereales indicavam proteína muito baixa (9%–10%) nas regiões de Santa Fé, Entre Ríos e no chamado eixo “up-river”. Esse padrão inviabiliza a exportação ao Brasil, que exige:

Esse déficit de proteína, aliado à superoferta da safra, explicava:

Agora, porém, o cenário começa a mudar.

Com o avanço da colheita para Buenos Aires — principal região produtora da Argentina, caracterizada por solos mais férteis e manejo mais uniforme — os primeiros relatórios privados indicam melhora na qualidade, especialmente nos seguintes pontos:

Esses indicadores são consistentes com padrões observados em anos de alta produtividade e boa sanidade no centro-sul argentino.


Se a qualidade de Buenos Aires se confirmar: grande impacto para o Brasil

Caso os lotes da região alcancem proteína ≥ 11,5%, dois efeitos imediatos surgirão:

1. Aumenta significativamente o volume de trigo apto a exportação para o Brasil

Hoje, boa parte da safra argentina está marginalizada pela baixa proteína. Mas, se Buenos Aires — que responde por mais de 40% da produção total do país — entregar qualidade acima do piso, teremos:

2. Moinhos brasileiros ganham mais opções e ganham poder de barganha

Com mais trigo forte na praça:

3. Reduz a necessidade de blends complexos e dependência do trigo russo

Se Buenos Aires confirmar boa proteína:


A redução das retenciones ganha novo significado

Antes da colheita de Buenos Aires, a queda da alíquota de 9,5% para 7,5% tinha efeito limitado, porque:

barateava o trigo fraco, que o Brasil não pode comprar.

Agora, com a perspectiva de trigo forte, a situação muda:


Cenário atualizado para o Brasil

Se Buenos Aires confirmar proteína ≥ 11,5%:

Se a qualidade NÃO se confirmar:


Conclusão

A redução das retenciones pelo governo Milei ganha novo peso justamente quando a colheita chega à região mais promissora da Argentina. A partir de agora, a qualidade do trigo de Buenos Aires será o fator determinante para definir:

Se Buenos Aires entregar proteína acima de 11,5%, a Argentina poderá abastecer confortavelmente o Brasil com trigo panificável, e a pressão sobre os preços internos tende a aumentar.

A Agromaxima continuará monitorando diariamente a qualidade, proteína, W, PH e preços FOB para antecipar oportunidades para produtores, moinhos e indústrias de derivados.

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