Radar do trigo

Radar do Trigo — Relatório semanal do mercado do trigo (19 a 25 de janeiro de 2026)

Report Semanal do trigo TRIGO

Nesta semana (19/01 a 25/01/2026), o mercado do trigo seguiu bem abastecido no cenário global, enquanto, no Brasil, a dinâmica continuou muito ligada ao custo de importação e ao comportamento das indústrias (moinhos) diante de margens apertadas. Ao mesmo tempo, a Argentina segue como o principal “termômetro” internacional para o Brasil, porque o FOB do Up River e a oferta pós-colheita continuam puxando a competitividade do trigo importado.

A seguir, você encontra um panorama prático de preços (R$/t e US$/t, com equivalência em bushel), situação de safra e os principais vetores que podem mexer com o mercado nas próximas semanas.

Painel de preços da semana (19 a 25/01/2026)

Conversão usada: 1 tonelada = 36,7437 bushels (trigo, bushel “padrão” de 60 lb).
Observação importante: os preços internacionais variam por proteína/qualidade, porto e janela; portanto, encare como referências comparáveis, não como “o mesmo trigo”.

Brasil — CEPEA (mercado interno)

  • Paraná (PR)
    • 19/01: R$ 1.168,39/t
    • 23/01: R$ 1.182,04/t (+1,17% na semana)
    • Equivalência: ~R$ 32,17/bu (23/01)
  • Rio Grande do Sul (RS)
    • 19/01: R$ 1.045,84/t
    • 23/01: R$ 1.051,80/t (+0,57% na semana)
    • Equivalência: ~R$ 28,63/bu (23/01)

Leitura rápida: o mercado interno andou de lado para ligeiramente firme, com PR reagindo um pouco mais. Ainda assim, o teto segue muito condicionado pelo trigo importado, especialmente via Argentina.

Argentina — FOB (Up River) | foco Brasil

No FOB/FAS Argentina da Bolsa de Comercio de Rosario (BCR), com data 23/01/2026, aparecem referências por proteína e janela. Para o trigo com proteína 11,5%, a referência para embarque em janeiro/26 fica na faixa de ~US$ 212/t (FOB comprador) (Up River).

  • Equivalência: ~US$ 5,77/bu

Por que isso importa no Brasil? Porque esse patamar, quando convertido e internalizado (câmbio + frete + custos portuários + financiamento), define se o moinho “puxa” importação e limita altas no mercado doméstico.

EUA — referência de bolsa (CBOT SRW)

No relatório semanal da U.S. Wheat Associates (23/01/2026), o março/26 (SRW) encerrou em US$ 5,30/bu, +12 cents vs. semana anterior.

  • Equivalência: ~US$ 194,7/t

Leitura rápida: os futuros subiram na semana por cobertura de posições, riscos climáticos e temas logísticos mencionados no próprio relatório.

Rússia (Black Sea) — FOB (referência de mercado)

Uma matéria replicando Reuters cita a consultoria Sovecon estimando trigo russo (milling) em US$ 228–230/t FOB, acima do intervalo da semana anterior (US$ 226–228/t).

  • Equivalência (ponto médio US$ 229/t): ~US$ 6,23/bu

Leitura rápida: mesmo com a Argentina competitiva, a Rússia continua sendo a âncora do mercado do Hemisfério Norte. Quando o Black Sea encarece, o “piso” global tende a subir — porém, a colheita argentina ajuda a segurar parte desse movimento para a América do Sul.

Situação das lavouras e oferta: o que muda o jogo

Brasil — oferta interna e dependência de importação

Pelo boletim da CONAB (jan/2026), a safra brasileira (base 2024/25 finalizada) é estimada em:

  • Área: 2.445,9 mil ha (-20% vs. safra anterior)
  • Produtividade: 3.219 kg/ha (+24,8%)
  • Produção: 7.873,4 mil t (-0,2%)

Além disso, a CONAB revisou a importação para 6,7655 milhões t e projeta estoques finais em 2,2427 milhões t.

Enquanto isso, o CEPEA destaca que 2025 teve importações nos maiores volumes desde 2013, com dezembro marcando 698,74 mil t (2º maior mês do ano).

Implicação direta: com importação forte e estoque mais confortável, o Brasil tende a operar com pressão competitiva (principalmente sobre o trigo “pão” padrão), a menos que o câmbio ou o FOB subam de forma consistente.

Argentina — colheita avançada + exportação acelerada

A colheita argentina já estava praticamente concluída no começo de janeiro, com 98,5% colhido (relatório 08/01/2026).

No lado comercial, a BCR comenta um início de campanha muito forte, com exportações em dezembro acumulando 2,9 Mt, mais que o dobro do mesmo mês da campanha anterior.

E, do ponto de vista de fluxo global, um relatório do USDA/FAS (Buenos Aires) projeta exportações argentinas recordes em 2025/26, citando 17,5 milhões t (incluindo farinha em equivalente grão).

Implicação direta para o Brasil: com colheita cheia e exportação “rodando”, o FOB tende a ficar competitivo enquanto houver disponibilidade — e isso costuma limitar altas do trigo no Sul do Brasil, principalmente quando os moinhos têm alternativa importada bem precificada.

EUA — clima e logística pesando no sentimento (mais do que na oferta imediata)

O relatório semanal da U.S. Wheat Associates ressalta riscos climáticos, desafios logísticos (ex.: restrições e gargalos) e o efeito disso no suporte aos futuros.
Além disso, um boletim de seca do Drought.gov menciona preocupação regional no Sul das Planícies, com condição do trigo de inverno reportada como majoritariamente “fair”.

Implicação: o mercado reage a risco (prêmio climático), mas, para o Brasil, esse efeito costuma ser indireto — e frequentemente é “filtrado” pelo que acontece na Argentina.

Rússia — clima e preço FOB mais firme

A mesma matéria (Reuters/Sovecon) associa a alta do FOB a condições climáticas adversas e discute ritmo de exportação em janeiro.

Implicação: se o Black Sea continuar subindo, a paridade global melhora. Porém, na América do Sul, o impacto depende de até quando o trigo argentino continua “sobrando” e competitivo.

O que mais mexeu com o mercado do Trigo (e por quê)

  • Argentina competitiva (FOB ~US$ 212/t para 11,5% em jan/26) mantendo pressão sobre paridades no Brasil.
  • Futuros em Chicago em alta na semana (SRW +12c) por cobertura e risco climático/logístico, aumentando o “piso psicológico” global.
  • Rússia FOB mais firme (Sovecon 228–230), reforçando suporte no Hemisfério Norte.
  • Brasil com importação forte e estoques projetados, o que reduz urgência de compra e aumenta sensibilidade a preço/câmbio.

Tendência (próximas 2–4 semanas): viés e gatilhos

Viés base: de estável a levemente baixista no Brasil, se o FOB argentino seguir competitivo e o câmbio não “disparar”.
Por outro lado, o viés pode virar para firme rapidamente se houver combinação de:

  1. câmbio subindo de forma consistente,
  2. alta adicional no Black Sea e/ou em Chicago, e
  3. redução da agressividade vendedora na Argentina (se logística/exportação apertar oferta disponível).

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Perguntas frequentes

Quanto está a tonelada do trigo no Brasil?
Na semana (com referência de fechamento), o CEPEA indicou FOB ~R$ 1.182/t no PR (23/01) e ~R$ 1.052/t no RS (23/01).

Qual a tendência do preço do trigo?
No curto prazo, a tendência depende da paridade de importação. Como a Argentina segue competitiva, o Brasil tende a operar mais “na defensiva”, a menos que câmbio e FOB global subam juntos.

Como está a safra argentina e por que ela manda no Brasil?
A colheita estava 98,5% concluída no início de janeiro e a exportação começou forte. Com FOB competitivo, o trigo argentino vira referência direta para compra dos moinhos brasileiros.

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