Preços globais recuam, Argentina pressiona mercado e Brasil segue atento ao câmbio
Resumo da Semana
Entre 24 e 30 de novembro de 2025, o mercado global de trigo manteve o movimento de acomodação visto ao longo do mês. Os preços internacionais recuaram, sobretudo devido à forte oferta global, à colheita recorde da Argentina e ao câmbio relativamente estável nos países importadores.
No Brasil, o mercado interno permaneceu com pouca volatilidade. Além disso, a proximidade da finalização da colheita em importantes estados produtores manteve os moinhos relativamente abastecidos, enquanto a competitividade argentina no FOB continua sendo o principal fator de pressão sobre as indústrias nacionais.
Mercado Internacional
Chicago recua e confirma tendência de baixa
Os contratos futuros do trigo na Bolsa de Chicago (CBOT) permaneceram pressionados durante toda a semana. O contrato mais negociado ficou na casa de US$ 5,29 a US$ 5,50 por bushel, corrigindo a informação para a casa decimal correta — já que as cotações são tradicionalmente apresentadas em centavos de dólar por bushel.
O movimento baixista aconteceu devido a três fatores principais:
- Oferta global robusta, com produção mundial estimada em cerca de 828,9 milhões de toneladas para 2025/26.
- Estoques confortáveis nos principais exportadores.
- Pressão vendedora da região do Mar Negro, especialmente Rússia.
Assim sendo, o cenário internacional permanece dominado pela ampla disponibilidade de trigo no curto prazo.
Preços FOB Internacionais – Semana 24–30/11
A seguir, o painel consolidado dos principais preços FOB da semana, com equivalência em US$/bushel, facilitando a comparação entre origens:
🇺🇸 Estados Unidos (FOB – Gulf)
Fonte: IGC – 28/11
- HRW Nº2: US$ 245/t → US$ 6,67/bu
- SRW Nº2: US$ 237/t → US$ 6,45/bu
🇦🇷 Argentina (Up River – principal referência para o Brasil)
Fonte: IGC + mercado físico
- FOB Up River Grade 2: US$ 208/t → US$ 5,66/bu
- Negócios pontuais da nova safra: US$ 210–212/t
➡️ A Argentina segue como a origem mais competitiva do mundo, reforçando seu impacto direto sobre o mercado brasileiro.
🇷🇺 Rússia (Black Sea)
- FOB 11,5–12,5%: US$ 228–233/t → US$ 6,20–6,33/bu
➡️ Mesmo com preços mais elevados, a Rússia continua dominando o volume global exportado.
🇪🇺 União Europeia (França – Rouen)
- FOB França Grade 1: US$ 227/t → US$ 6,18/bu
🇦🇺 Austrália (APW / ASW – Port Adelaide)
- APW: A$ 371–375/t (~US$ 240–250/t FOB)
- ASW: A$ 368–372/t
➡️ A competitividade australiana é relevante, mas a distância logística diminui o apelo para o Brasil.
🇨🇦 Canadá (CWRS 13,5%)
- Indicativos de US$ 265–280/t FOB
→ US$ 7,20–7,60/bu
Argentina: Safra 2025/26 recorde pressiona preços
A Argentina foi, sem dúvida, a grande protagonista da semana.
A Bolsa de Cereales de Buenos Aires atualizou sua projeção e elevou a safra para 24 milhões de toneladas. Assim, um recorde histórico para o país. Condições climáticas favoráveis, sobretudo nas províncias de Córdoba, Santa Fé e Buenos Aires, sustentam esse avanço.
Esse cenário cria algumas consequências importantes:
- Pressão baixista nas exportações;
- Aumento da disponibilidade para o Brasil;
- Redução do prêmio FOB e maior agressividade nos line-ups do Up River;
- Competitividade muito superior à de EUA, França e Austrália.
Portanto, a Argentina se consolida como o principal vetor de pressão sobre o trigo brasileiro.
Oferta Global e Projeções
A produção mundial deve alcançar 828,9 milhões de toneladas, segundo projeções recentes de analistas internacionais.
Ainda que a demanda continue firme, a safra global excede as expectativas iniciais e garante estoques amplos no curto prazo. Portanto, a tendência internacional segue de preços contidos — conforme também refletido no CBOT.
Brasil: Mercado segue estável, mas importações ganham força
Durante a semana, o mercado brasileiro operou de forma relativamente estável. Assim, o câmbio não apresentou grandes oscilações, mantendo a atratividade das importações argentinas.
⭐ Destaques no Brasil:
- Safra nacional em fase final de colheita no Paraná e em Santa Catarina.
- Qualidade variável nos lotes do Sul, devido ao excesso de umidade.
- Moinhos bem abastecidos, reduzindo a necessidade de grandes compras internas.
- Indústrias acompanhando com cautela a agressividade argentina no FOB.
Como consequência, os preços internos permaneceram sem força para altas significativas.
Tendência dos Preços Internos do Trigo no Curto Prazo
Com base em:
- Argentina competitiva (US$ 208–212/t);
- Estoques globais elevados;
- Câmbio relativamente estável;
- Menor necessidade de compra dos moinhos no fim do mês;
A expectativa é de que os preços internos continuem pressionados nas próximas semanas.
No entanto, é necessário monitorar:
- Possíveis mudanças cambiais;
- Condições climáticas em dezembro;
- Avanço da comercialização no Sul;
- Eventuais impactos logísticos na Argentina.
Equivalência Bushel ↔ Tonelada (para evitar erros de análise)
Para padronizar suas próximas análises:
- 1 bushel de trigo = 27,22 kg
- 1 tonelada = 36,74 bushels
Fórmula rápida:
US$/t ÷ 36,74 ≈ US$/bu
Exemplo real da semana:
245 ÷ 36,74 = US$ 6,67/bu (HRW Gulf)
Assim, evitamos confusões entre centavos por bushel e dólares por bushel — problema comum em análises mal interpretadas.
Perspectivas do Trigo para Dezembro de 2025
A tendência é que o mercado siga lateralizado, com possíveis movimentos de baixa se:
- Argentina intensificar as ofertas FOB;
- Rússia ampliar o volume ofertado no Mar Negro;
- Chicago continuar pressionada por estoques globais.
Por outro lado, fatores que podem alterar o cenário:
- Volatilidade cambial no Brasil;
- Eventos climáticos tardios;
- Novos dados de exportação dos EUA;
- Mudanças na geopolítica do Mar Negro.
Conclusão da Semana
Portanto, entre 24 e 30 de novembro, o mercado global do trigo seguiu pressionado pela oferta abundante, com destaque para:
- Safra recorde da Argentina, principal elemento baixista;
- Preços FOB internacionais recuando;
- Chicago operando na casa de US$ 5,29–5,50/bu;
- Brasil estável, porém mais sensível ao trigo importado.
Então, a tendência para as próximas semanas permanece neutra a baixista, e qualquer recuperação de preços dependerá de gatilhos externos como clima e câmbio.
Assim, a Agromaxima permanece comprometida em fornecer informações precisas e atualizadas para auxiliar seus clientes nas melhores decisões de compra e venda de trigo.
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